O Índice Sentinel de Segurança é uma nota de 0 a 100 atribuída a cada cidade do estado de São Paulo com dados suficientes (cidades com pelo menos 100 ocorrências registradas). Quanto maior a nota, mais segura a cidade em comparação com as demais cidades paulistas no mesmo período.
1. Para cada cidade, contamos as ocorrências registradas pela SSP-SP nos 12 meses completos mais recentes, por tipo de crime, e convertemos cada contagem em taxa por 100 mil habitantes, usando a população do Censo 2022 (IBGE).
2. Os crimes são organizados em quatro pilares, do mais grave ao menos grave. Cada pilar tem um peso no índice, e dentro de cada pilar alguns crimes contam mais que outros (peso interno):
| Pilar | Peso | Crimes (peso interno) |
|---|---|---|
| Crimes contra a vida | 40% | Homicídio doloso, feminicídio e latrocínio |
| Violência | 25% | Estupro (3), tentativa de homicídio ou de feminicídio (3), lesão corporal dolosa (1) |
| Roubos | 20% | Roubo de veículo, de celular, de carga e outros roubos |
| Furtos | 15% | Furto de veículo, de celular, de carga e outros furtos |
O peso interno vale apenas dentro do pilar: no pilar de violência, um estupro conta como três lesões corporais. Entre pilares, o que define a influência de um crime é o peso do pilar combinado com a raridade daquele tipo de crime no estado. Na prática, um homicídio doloso move o índice de uma cidade cerca de 50 vezes mais que uma tentativa de homicídio.
3. A taxa de cada pilar da cidade é comparada com a taxa média do estado no mesmo pilar (agregado de todas as cidades monitoradas). Essa comparação é feita em escala logarítmica e limitada a 4 vezes acima ou abaixo da média, para que nenhum pilar sozinho domine o resultado.
4. O índice combina os quatro pilares pelos seus pesos: índice = 50 − 50·Σ peso·log₂(taxa do pilar ÷ taxa média de SP no pilar), limitado entre 0 e 100. Uma cidade com taxas iguais à média estadual em todos os pilares recebe 50; com metade da média em tudo recebe 100; com o dobro em tudo, recebe 0. O índice é, portanto, relativo ao estado de SP no mesmo período, e não uma medida absoluta de segurança. Como a população paulista se concentra nas grandes cidades, que registram mais crimes por habitante, a maioria dos municípios fica acima de 50.
As contagens de homicídio e de feminicídio seguem a definição das estatísticas oficiais da SSP-SP: apenas o crime consumado (doloso), incluindo as mortes suspeitas que a investigação apurou como homicídio doloso. Tentativas contam separadamente, no pilar de violência; homicídios culposos e as demais mortes suspeitas aparecem no mapa e nas tabelas, mas não entram no índice.
Crimes graves são raros: na taxa média do estado, uma cidade de 20 mil habitantes espera cerca de um homicídio por ano. Um único caso a mais ou a menos mudaria a nota dezenas de pontos de um ano para o outro. Para evitar isso, cada pilar recebe uma suavização estatística: somamos ao cálculo o equivalente a 3 ocorrências na taxa média do estado. Quanto mais raro o crime e menor a cidade, mais a taxa do pilar é aproximada da média estadual. Para crimes frequentes, como furtos, a suavização é praticamente nula, e taxas baixas bem medidas continuam valendo nota alta.
| Índice | Classificação |
|---|---|
| 80–100 | Muito segura |
| 60–79 | Segura |
| 40–59 | Moderada |
| 20–39 | Risco alto |
| 0–19 | Crítica |
A primeira versão do índice somava as taxas de todos os crimes com pesos fixos. Com o crescimento da base de dados, essa soma passou a ser dominada pelos crimes de maior volume: a lesão corporal respondia por quase 60% do valor de risco, e os crimes contra a vida por menos de 2%. Uma cidade com taxa de homicídio várias vezes acima da média estadual podia ser classificada como "muito segura" se registrasse poucas lesões e furtos.
A versão 2 corrige isso com os quatro pilares descritos acima: cada pilar é comparado com a média estadual antes de entrar no índice, então crimes frequentes não diluem os crimes graves. A atualização também:
• Incorporou os tipos de crime adicionados à base em 2026: estupro, roubos e furtos de outros itens e de carga, e tentativas de homicídio e de feminicídio.
• Passou a contar feminicídio apenas quando consumado, seguindo a definição oficial da SSP-SP (tentativas contam no pilar de violência).
• Removeu do índice os homicídios culposos e as mortes suspeitas, categorias heterogêneas dominadas por acidentes de trânsito (exceto as mortes suspeitas apuradas como homicídio doloso, que contam como homicídio, como no consolidado oficial da SSP-SP).
• Introduziu a suavização estatística para cidades pequenas.
Por isso, as notas publicadas antes de julho de 2026 não são comparáveis com as atuais.
Ocorrências: boletins de ocorrência divulgados publicamente pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), atualizados mensalmente. População: Censo Demográfico 2022 (IBGE). Limites de distritos (quando disponíveis): bases oficiais municipais, como o GeoSampa para a capital.
Subnotificação e viés de registro: o índice mede crimes registrados, não crimes cometidos. Cidades grandes e turísticas tendem a concentrar mais registros (inclusive de não residentes), o que eleva suas taxas per capita. Crimes menos denunciados são subrepresentados em todo o estado; o estupro, em particular, tem subnotificação elevada, e diferenças entre cidades podem refletir diferenças na disposição de denunciar. Os boletins de estupro divulgados pela SSP-SP não trazem coordenadas, por isso essas ocorrências entram nas estatísticas por cidade, mas não aparecem no mapa.
Bairros: o campo "bairro" dos boletins é texto livre, sem limites oficiais nem população associada. Por isso os rankings de bairro usam contagens, não taxas por habitante, exceto onde há limites oficiais de distritos com população do Censo.
Geocodificação: parte dos boletins não traz coordenadas; a localização é estimada a partir do endereço quando possível.
Comparações no tempo: mudanças na forma de divulgação da SSP-SP podem afetar séries históricas.
Os dados são reprocessados mensalmente, quando a SSP-SP publica novos boletins. O índice e todas as páginas de estatísticas são recalculados automaticamente a cada atualização.